O que a humanidade e os ratos têm em comum - os aprendizados do experimento Universe 25
No final da década de 1960, Calhoun, um estudioso do comportamento animal, fez um experimento com ratos no intuito de determinar o efeito da superpopulação no comportamento dos indivíduos e no destino da colônia.
Quatro casais de ratos foram colocados em um recinto de 2,7m x 2,7m, com temperatura perfeita e abundância de água, comida e material para nidificação. A questão a ser respondida por esse experimento era “o que acontece quando uma população tem tudo o que necessita?”
Inicialmente, a colônia de ratos prosperou no “paraíso”, com a população dobrando a cada 2 meses. No entanto, à medida que os recursos escasseavam, os ratos passaram a apresentar comportamento perturbador: os machos alfas eram extremamente violentos com os demais, chegando a praticar canibalismo; as mães descuidavam de suas crias, ou até mesmo as maltratavam; os machos mais submissos exibiam comportamento sexual apático, focando sua energia no cuidado de sua aparência e no consumo de comida e bebida, sem interagir com os demais.
Incapazes de interagir com seus pares, os ratos jovens se tornaram desajustados, e as fêmeas solteiras passaram a viver isoladas como eremitas. O desinteresse dos ratos em se reproduzirem levou a uma queda acentuada da natalidade e, eventualmente, à extinção da colônia.
Embora Calhoun visasse utilizar os resultados de seu experimento como um alerta ao futuro da humanidade, a comunidade científica descartou as analogias por ele estabelecidas devido a críticas metodológicas.
Ele advertiu seus pares sobre os perigos da superpopulação e da falta de propósito devido à ausência de luta para garantir a existência. O que aconteceria no futuro se a população se amontoasse de forma descontrolada em grandes metrópoles, com a perda da organização social tradicional? Qual seria o efeito psicológico da falta de desafios – proteger o território, buscar alimento e garantir recursos – em uma vida marcada pelo hedonismo e pela abundância?
As críticas principais à validade de suas analogias com o comportamento humano se deviam principalmente à má distribuição do espaço na colônia, à consanguinidade da população e à consequente mutação genética, à narrativa moralista adotada para o comportamento da colônia, e à simplicidade do comportamento instintivo dos ratos quando comparado ao dos humanos.
Todavia, quando lemos sobre os resultados do Universe 25, fica muito difícil não estabelecer um paralelo com o comportamento da sociedade atual. Você não acha?
O que dizer do número crescente de jovens apáticos que não veem necessidade de sair da casa dos pais e que passam os dias trancados em seus quartos; da violência gratuita cada mais elevada, sem haja a necessidade de usá-la para garantir a subsistência; da adesão de mulheres heterossexuais ao movimento “boy sober”, desinteressadas em um relacionamento afetivo; do índice de obesidade em todas as classes sociais; dos percentuais elevados de homens que nunca tiveram parceiras, nem mesmo relações sexuais, e que preferem namoradas digitais ou robôs, tal como observamos no Japão?
Esse experimento dos ratos me parece muito elucidativo... E você, o que pensa disso?
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